terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Pedro Zamith | Inauguração 13 Fev | 17h
Olá,
No próximo sábado, dia 13 de Fevereiro, pelas 17h, vamos inaugurar a exposição O Triunfo dos Porcos, de Pedro Zamith.
Convidamos a estarem presentes e trazer amigos.

Sobre a exposição:
“Certo Domingo quando os animais se reuniram para receber as suas ordens, Napoleão anunciou que decidira adoptar uma nova politica.Doravante, a quinta dos animais iria fazer trocas comerciais com as herdades vizinhas-não com intuitos lucrativos,é claro, mas somente para obter certos produtos cuja aquisição se tornara permente.As necessidades do moinho deviam sobrepor-se a tudo o resto.Assim, iniciara diligências para vender uma meda de feno e parte da colheita de trigo do ano corrido, e em seguida se fosse preciso mais dinheiro, o unico remédio seria vender ovos, de que havia sempre grande procura em Benquerença. As Galinhas disse Napoleão, deviam acolher este sacrifício de bom grado, como contribuição especial para o moinho.
Uma vez mais os animais sentiram-se invadidos por um breve desconforto. Nunca encetar transacções com os seres humanos, nunca comerciar, nunca fazer uso de dinheiro- Não se contavam estas resoluções entre as aprovadas logo a seguir à expulsão do Reis, naquela primeira assembleia triunfante? Todos se recordavam de ter votado a favor destas propostas, ou pelo menos julgavam recordar-se. Os quatro leitões que tinham protestado quando Napoleão abolira as assembleias ergueram a voz timidamente, mas foram silenciados de pronto por um tremendo rosnido por parte dos cães...”
O triunfo dos Porcos- George Orwell, 1945
Sobre o autor:
38 anos.Vive e trabalha em Lisboa.
Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, 2000.
Bacharel em Cenografia pela Escola Superior de Teatro e cinema, 1994.
Curso de cinema de animação, Fundação Calouste Gulbienkian, 1995.
Professor de Visual Arts no Colégio Planalto em Lisboa.
Cinco exposições individuais ( Galerias: Quadrum, Monumental, Pedro Serrenho,Arqué e Appleton Square) entre 2002 e 2010.
Várias colectivas ( Museu Serralves, Galeria ZDB, Museu Arte Contemporânea da Corunha) entre 2000 e 2009.
"Comboio Fantasma", projecto com André Lemos, João Maio Pinto e Manuel João Vieira, apoiado pela agência de Arte Vera Cortês, 2007.
Várias publicações destacando-se, “O homem que desenhava na cabeça dos outros” 2006, Oficina do Livro.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Jordi Ferreiro @ apartamento
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Dama Talks | Rita Carvalho
sábado, 30 de janeiro de 2010
Rita Carvalho - novo texto


CARTOGRAFIAS DOS AÇORES
Sendo frequentemente entendida como uma descrição objectiva ou imparcial (porque oficial) de um território ou lugar, toda a cartografia é, no entanto, construção- objecto decorrente de escolhas, ou seja, da decisão de representar determinados elementos em detrimento de outros.
Este projecto liga-se precisamente a essa dimensão subjectiva e ficcional do mapa, explorando ainda o seu potencial narrativo.
As peças expostas surgem na sequência de uma viagem a 6 das ilhas do arquipélago açoreano. Para além do exotismo no que respeita a fenómenos naturais, o próprio isolamento das ilhas pareceu-me interessante porque propício a mitos, ou se quisermos, a uma História não-oficial. Com efeito, Sykes, que durante toda a sua vida perseguiu o mito da Atlântida1, estudou as ilhas dos Açores, apontando a possível presença de povos como os Celtas ou Cartagineses com base numa interpretação de textos, e ainda em alegados vestígios (moedas e estátuas) entretanto desaparecidos. Um dos episódios que o autor refere é citado numa das peças, a do mapa do Vulcão dos Capelinhos.
Explorei ainda textos que falam dos Açores do séc. XIX (como “Os Dabney: Uma família americana nos Açores” de Maria Filomena Mónica, ou de uma relação forte com o mar (como “Mar pela proa” do açoreano Dias de Melo ou “Mar” de Sophia de Mello Breyner.
Mas os elementos mais motivadores para este projecto foram os testemunhos de habitantes das ilhas, assumindo estes o protagonismo numa das peças. De facto, o mapa da Fajã da Caldeira de Santo Cristo descreve um lugar da ilha de S. Jorge a partir do relato de um dos seus habitantes, o Sr. Luís Alberto (que conheci, juntamente com o meu companheiro de viagem, numa visita a este local idílico).
Após o terramoto de 1980, a Fajã, que chegou albergar mais de 100 habitantes, ficou deserta e isolada no que respeita a comunicações e acessos. Apesar desse facto, o Sr. Luís e a sua mulher decidiram voltar para a Fajã, tornando-se nos seus únicos habitantes. Em conversa, o Sr. Luís contou-nos que na altura comentara com a mulher: “Parecemos Adão e Eva no Paraíso! Podemos andar nús à vontade que ninguém nos vê…” Contou-nos que chegaram a estar um mês sem verem ninguém. No mapa, o casal “bíblico” está representado ao centro, sendo a composição adaptada a partir de um elemento de uma Igreja de S. Jorge2.
Um outro episódio retratado no mapa é o do tecto da igreja que, segundo um habitante da fajã vizinha, foi em tempos transportada em braços para arranjo (até há pouco tempo, o acesso à Fajã era apenas possível a pé ou de burro).
A impressão mais forte nesta visita aos Açores foi a de uma inversão total daquilo que é comum no nosso quotidiano urbano. A ideia que quis transmitir com este mapa da Fajã foi precisamente a de um cenário para mim exótico, no qual a Natureza, em vez do Homem, é claramente dominante. De facto, no centro da minha vida está a urbe, a respectiva concentração de pessoas e edifícios, a escassez de animais, o trânsito, a velocidade, etc... Nas suas margens, está o contacto com a Natureza: as visitas esporádicas aos parques e ao campo durante os fins-de-semana. Nos Açores experiencia-se o oposto: as aves e a vegetação são os protagonistas do lugar, como que excluindo o Homem e o seu quotidiano urbano.
O mapa do Vulcão dos Capelinhos descreve a erupção de 1957/1958 que, surgindo no mar, gerou matéria que culminaria numa ampliação da área da ilha do Faial.
O vulcão é representado através de um monstro que emerge do mar e que controla a população dos Capelinhos que, aterrorizada, recorre à fé cristã. Mais uma vez, fica a ideia da Natureza como o factor dominante nos Açores. E de facto, o círculo onde se inserem as figuras pretende ter a conotação de uma espécie de Roda da Fortuna, onde os humanos não detêm poder sobre as suas vidas, estando à mercê da sorte ou neste caso, da Natureza.
Rita Carvalho
1. Existe uma lenda que aponta o grupo oriental das ilhas como sendo o local da Atlântida.
2. Durante a viagem fui recolhendo elementos iconográficos açoreanos, nomeadamente de arte sacra, adaptando-os às minhas narrativas.
BIBLIOGRAFIA
ANDRESON, Sophia de Mello Breyner- Mar. Lisboa: Editorial Caminho, 2004.
DIAS DE MELO- Mar pela proa. Ponta Delgada: Ver Açor, 2008.
HARMON, Katherine- You are here: Personal Geographies and Other Maps of Imagination. Nova Iorque: Princeton Architectural Press, 2004.
MÓNICA, Maria Filomena- Os Dabney: Uma família americana nos Açores. Lisboa: Tinta da China, 2009.
O´Neill, Alexandre- Reportagem nos Açores. Lisboa: Assírio e Alvim, 2007.
Sykes, Egerton- The Azores and the early exploration of the Atlantic. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 1968.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
João Fazenda & Pedro Brito X 3
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
O Combate ilustrado @ livrarias















































